Desmistificar a Síndrome Metabólica Poliendocrina do Ovário (PMOS)
A condição até há pouco tempo conhecida como Síndrome dos Ovários Poliquísticos (SOP) tem hoje um novo nome. Em maio de 2026, um consenso científico global, publicado na revista The Lancet e reunindo mais de 50 organizações médicas e mais de 14 mil doentes e profissionais de saúde, passou a designar a condição como polyendocrine metabolic ovarian syndrome (Síndrome Metabólica Poliendocrina do Ovário) ou PMOS.
A mudança surge porque o termo "ovários poliquísticos" sempre foi impreciso: a síndrome envolve muito mais do que a alteração da função ovárica, com impacto hormonal, metabólico e endócrino alargado.
É uma das disfunções mais frequentes nas mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 10% a 15% da população feminina, e continua a ser uma condição frequentemente mal compreendida e subdiagnosticada.
Como é feito o diagnóstico?
A PMOS não é diagnosticada apenas através de uma ecografia ou de uma análise ao sangue. O diagnóstico baseia-se nos Critérios de Roterdão, sendo necessário apresentar pelo menos 2 dos seguintes 3 critérios:
- Ovulação irregular ou ausente;
- Sinais clínicos ou laboratoriais de excesso de androgénios (hormonas masculinas);
- Aspeto poliquístico dos ovários na ecografia.
Isto significa que uma mulher pode ter PMOS mesmo com uma ecografia normal, desde que apresente outros critérios. Da mesma forma, ter ovários com aspeto poliquístico na ecografia não significa, por si só, ter a síndrome.
Ao longo dos anos, foram criados vários mitos que podem gerar ansiedade desnecessária:
- Ter PMOS significa ser infértil.
- A PMOS pode dificultar a ovulação, mas não significa infertilidade. Com acompanhamento médico adequado, muitas mulheres conseguem engravidar.
- A pílula cura a PMOS.
- A pílula pode ajudar a controlar alguns sintomas, como excesso de androgénios e proteção do endométrio, mas não elimina a causa da síndrome.
- Se não tenho excesso de peso, não posso ter PMOS.
- Mulheres com peso considerado normal que apresentam igualmente alterações hormonais associadas à síndrome podem ter esta síndrome.
Receber o diagnóstico de PMOS não deve ser motivo de angústia, mas sim uma oportunidade para compreender melhor o funcionamento do seu corpo e adaptar os cuidados às suas necessidades.
O acompanhamento deve ser individualizado e considerar não só o ciclo menstrual, mas também a saúde metabólica, dermatológica e emocional da mulher.
Se apresenta ciclos irregulares, acne persistente, aumento de pelos ou queda de cabelo sem explicação, procure uma avaliação ginecológica especializada.




