Gravidez na perimenopausa: o mito de que a fertilidade acaba aos 40

29 de junho de 2026

A perimenopausa é, talvez, a fase de maior dualidade na vida de uma mulher. Surgem os primeiros sinais de que o sistema reprodutivo está mais irregular, no entanto, este mantém-se ativo. As dúvidas em torno da contraceção e da saúde hormonal tornam-se mais pertinentes do que nunca. 

Aqui ficam algumas das questões que mais oiço em consultório, sobre a perimenopausa.   


Síndrome dos Ovários Poliquísticos

É possível engravidar durante a perimenopausa? ? 

Sim. Enquanto houver ovulação, ainda que de forma irregular, existe a possibilidade de gravidez. Na perimenopausa, os ovários podem libertar um óvulo num mês e não o fazer no seguinte, ou seja podem surgir ciclos anovulatórios. Como é impossível prever com exatidão quando ocorre a ovulação, o risco de uma gravidez não planeada mantém-se real até se atingir a menopausa, definida como 12 meses consecutivos sem menstruação. 


Ainda é necessário usar contracetivos nesta fase?  

Sim, se não deseja engravidar, a contraceção continua a ser necessária. Nesta fase, no entanto, o método contracetivo pode ter uma dupla função:

  • Prevenção da gravidez. 
  • Controlo de sintomas: alguns métodos hormonais (como o DIU hormonal ou algumas pílulas, que sejam seguras nesta fase da vida da mulher) ajudam a regular e diminuir as perdas de sangue podendo também contribuir para a estabilidade de oscilações de humor e/ou afrontamentos que podem ocorrer nesta fase. 


O que podemos experienciar durante a perimenopausa? 

Cada mulher vive esta transição de forma única, mas existem experiências relativamente comuns: 

  • Ciclos menstruais imprevisíveis: ciclos que encurtam ou que desaparecem durante alguns meses, voltando habitualmente depois com um fluxo mais intenso. 
  • Instabilidade emocional: maior irritabilidade ou episódios de tristeza súbita, sem causa aparente, associados às variações nos níveis de estrogénio. 
  • Nevoeiro mental (brain fog): dificuldade em encontrar palavras ou em manter a concentração. 
  • Alterações na composição corporal: tendência para alterações no metabolismo e na distribuição da gordura corporal. 


A perimenopausa não tem de ser um período de incerteza. Conhecer o seu corpo e compreender que ainda existe fertilidade, apesar das irregularidades, permite tomar decisões mais informadas sobre a sua saúde e o bem-estar. 

Não espere pelo fim da menstruação para cuidar de si. Se sente que o seu corpo está a mudar, procure acompanhamento junto de um médico especialista. 



Por The Square-Your Communication Office Unipessoal Lda • 2 de outubro de 2026
Quando se fala em Síndrome Metabólica Poliendocrina do Ovário (PMOS), anteriormente denominada Síndrome dos Ovários Poliquísticos (SOP), é comum associá-la apenas a menstruações irregulares, acne ou dificuldades em engravidar. No entanto, a PMOS é muito mais do que uma condição ginecológica: é uma disfunção hormonal e metabólica, que pode ter impacto em várias áreas da saúde da mulher. Muitas mulheres com PMOS referem dificuldade em perder peso, cansaço persistente e alterações na composição corporal. Uma das principais causas associadas a estas alterações é a r esistência à insulina . A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas que permite que a glicose presente no sangue seja utilizada como fonte de energia. Em muitas mulheres com PMOS, as células tornam-se menos sensíveis à ação desta hormona. Como resposta, o organismo aumenta a produção de insulina, levando a um excesso desta hormona em circulação, a chamada hiperinsulinemia . O excesso de insulina pode contribuir para várias alterações: Nos ovários, estimula a produção excessiva de androgénios (como a testerona), podendo agravar sintomas como acne, queda de cabelo, aumento de pelos e irregularidades na ovulação. No metabolismo, favorece o armazenamento de gordura, dificulta a utilização da gordura como fonte de energia e pode contribuir para uma maior acumulação de gordura abdominal.
Por The Square-Your Communication Office Unipessoal Lda • 21 de setembro de 2026
A menopausa é uma fase natural da vida da mulher e assinala o fim da menstruação. Trata-se de um diagnóstico clínico retrospetivo, ou seja, é feito após 12 meses consecutivos sem menstruação. Na maioria dos casos ocorre entre os 45 e 55 anos. Quando a cessação definitiva da menstruação acontece entre os 40 e os 45 anos, falamos de menopausa precoce. A menopausa precoce é um problema de saúde? A menopausa, por si só, não é uma doença. No entanto, quando ocorre mais cedo do que o esperado, a redução prematura dos níveis de estrogénio pode trazer consequências importantes para a saúde. Para além do fim da fertilidade e da interrupção dos ciclos menstruais, a privação precoce de estrogénios pode estar associada a: Aceleração da perda de massa óssea, aumentando o risco de osteoporose e fraturas em idades mais jovens; Maior risco de doenças cardiovasculares; Alterações cognitivas, incluindo perdas de memória e dificuldade de concentração; Maior vulnerabilidade a sintomas de ansiedade, alterações de humor e depressão; Impacto na qualidade de vida e no bem-estar geral.
Por The Square-Your Communication Office Unipessoal Lda • 7 de setembro de 2026
A condição até há pouco tempo conhecida como Síndrome dos Ovários Poliquísticos (SOP) tem hoje um novo nome . Em maio de 2026, um consenso científico global, publicado na revista The Lancet e reunindo mais de 50 organizações médicas e mais de 14 mil doentes e profissionais de saúde, passou a designar a condição como polyendocrine metabolic ovarian syndrome (Síndrome Metabólica Poliendocrina do Ovário) ou PMOS. A mudança surge porque o termo "ovários poliquísticos" sempre foi impreciso: a síndrome envolve muito mais do que a alteração da função ovárica, com impacto hormonal, metabólico e endócrino alargado. É uma das disfunções mais frequentes nas mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 10% a 15% da população feminina , e continua a ser uma condição frequentemente mal compreendida e subdiagnosticada.