Incontinência Urinária: tipos e patologias associadas
A incontinência urinária é uma condição que afeta entre 25% e 45% das mulheres adultas em todo o mundo. Em Portugal, estima-se que aproximadamente 3 em cada 10 mulheres vivam com este problema.
Apesar de ser muitas vezes desvalorizada ou vista como uma consequência natural do envelhecimento ou da gravidez ou parto, a perda involuntária de urina não é normal e pode ter um impacto significativo na qualidade de vida, afetando a saúde física, emocional e social das mulheres.
Trata-se de uma patologia multifatorial, que pode estar associada a diferentes doenças ou condições médicas, e que deve ser sempre avaliada por um médico especialista para garantir um diagnóstico correto e um tratamento adequado.
Principais tipos de incontinência urinária:
Existem vários tipos de incontinência urinária, sendo os mais comuns:
- Incontinência urinária de esforço: caracteriza-se pela perda involuntária de urina em situações de esforço, como tossir, rir, espirrar, levantar pesos ou praticar exercício físico. Está frequentemente associada à disfunção dos músculos do pavimento pélvico, podendo ocorrer após gravidez, partos, menopausa ou em consequência de cirurgias pélvicas.
- Incontinência urinária de urgência: surge precedida de uma vontade súbita e intensa de urinar, muitas vezes sem tempo suficiente para chegar à casa de banho.
Está relacionada com a hiperatividade da bexiga, que pode contrair de forma involuntária. Faz parte da sintomatologia da "síndrome da bexiga hiperativa". - Incontinência urinária mista: combina sintomas dos dois tipos anteriores - esforço e urgência – e tende a ser mais frequente em mulheres com idade mais avançada.
Patologias associadas à incontinência urinária
A incontinência urinária pode ser um sintoma isolado ou estar relacionada com outras condições médicas, como:
- Prolapsos dos órgãos pélvicos (descida da bexiga, útero/enterocelo ou reto);
- Infeções urinárias recorrentes;
- Alterações hormonais (particularmente na menopausa, com a diminuição dos níveis de estrogénio);
- Doenças neurológicas (como esclerose múltipla, doença de Parkinson ou sequelas de AVC);
- Complicações pós-cirúrgicas na região pélvica;
- Obesidade e hábitos de vida sedentários, que aumentam a pressão intra-abdominal
Tratamento e abordagem clínica
Apesar do estigma ainda associado, a incontinência urinária tem tratamento. A abordagem pode incluir:
- Exercícios de fortalecimento do pavimento pélvico (fisioterapia pélvica);
- Reeducação comportamental e alterações no estilo de vida;
- Tratamento farmacológico;
- Técnicas cirúrgicas, quando indicado.
Cada caso é único e exige uma avaliação individualizada, com soluções personalizadas que visam restaurar a confiança e o bem-estar da mulher.




