Perimenopausa: O que ninguém lhe explicou sobre os anos que antecedem a menopausa
Fala-se muito sobre menopausa, mas raramente sobre o que acontece antes. A perimenopausa é o período de transição em que o corpo da mulher começa a preparar-se para o fim da fase reprodutiva. É uma verdadeira "montanha-russa" hormonal que pode trazer desafios, mas que não tem de ser vivida com sofrimento.
Durante esta fase, a produção de hormonas pelos ovários, nomeadamente estrogénio e progesterona, começa a oscilar de forma irregular. A duração é variável: pode estender-se por apenas alguns meses ou prolongar-se cerca de 10 anos. Em média, dura entre 4 e 5 anos.
Embora a idade mais comum de início seja entre os 40 e os 45 anos, é difícil identificar com precisão o momento em que começa, porque varia de mulher para mulher. Em alguns casos, pode surgir mais cedo (precoce).
A perimenopausa termina oficialmente quando se atinge a menopausa, ou seja, após 12 meses consecutivos sem menstruação.
Quais são os sintomas mais comuns?
Como as hormonas estão em constante flutuação, esta pode ser uma fase de profundas mudanças físicas, mentais e emocionais. Os sintomas variam bastante, mas os mais comuns incluem:
- Irregularidade menstrual: ciclos mais curtos ou mais longos, meses sem menstruação e alterações no fluxo, que pode tornar-se mais intenso ou mais escasso.
- Afrontamentos: sensações súbitas de calor, muitas vezes acompanhadas de suores noturnos que interferem com o sono.
- Alterações de humor: maior irritabilidade, ansiedade ou sensação de "nevoeiro mental" (dificuldade de concentração).
- Perturbações no sono: dificuldade em adormecer ou manter o sono.
- Secura vaginal e alteração do desejo sexual: consequência da diminuição dos níveis de estrogénio.
- Aumento de peso, sobretudo na zona abdominal, associado a alterações metabólicas.
Como podemos aliviar os sintomas?
Viver a perimenopausa não significa ter de "aguentar" o desconforto. Existem estratégias eficazes para tornar esta transição mais equilibrada:
- Estilo de vida: uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercício físico (especialmente treino de força) são fundamentais para proteger a saúde óssea e cardiovascular, além de contribuírem para a estabilidade emocional.
- Higiene do sono: criar rotinas de relaxamento antes de deitar, manter horários regulares e garantir um ambiente fresco no quarto pode ajudar a minimizar insónias e suores noturnos.
- Terapêutica Hormonal (TH): quando os sintomas comprometem significativamente a qualidade de vida, a terapêutica hormonal pode ser uma opção segura e eficaz. Deve ser sempre avaliada de forma individualizada em consulta de ginecologia.
- Suplementação e alternativas não hormonais: em alguns casos, determinados suplementos, podem ajudar a aliviar sintomas.
- Cuidado com o pavimento pélvico: com a diminuição do estrogénio, os tecidos perdem elasticidade. A prática regular de exercícios de fortalecimento, pode ajudar a prevenir incontinência urinária e outras disfunções do pavimento pélvico.
A perimenopausa é um processo natural, mas cada mulher vive-o de forma única. O mais importante é não desvalorizar os sinais do seu corpo. Se sente que “já não é a mesma” ou que os sintomas estão a interferir com o seu dia a dia, procure acompanhamento especializado.




